sexta-feira, 12 de abril de 2013

Por favor, doutor...





Pois é, seu doutor. Nós era da roça, não aprendeu falá bonito. Nós até atropela as concordância...  
 Nós pode não ter muito estudo, mas sempre fizemos o bem.
Uns de nós morava nos sítio, outros nas fazenda. Nós era colono, roceiro, campeador, derriçava café... Isso antes da implantação das usina de álcool, que fez o nosso interior virar um canavial sem fim, e também antes das lei que obrigava os fazendeiro a registrar os colono.
Naquele tempo não tinha esse mundaréu de terra parada, que não produz nada, que tem uns boizinho pra dizer que é produtiva, para não ter o perigo de invasão.
Também não tinha esses movimento de sem terra. Eu fui convidado para participar disso, mas tinha que ficar morando na barraca de lona preta, fazer movimento, viver de esmola... Não é isso que nós quer, doutor. É só política, e nós quer é trabalhar.
Naquela época, não se falava da tal globalização, do tal MERCOSUL... 
Televisão, só com bateria, uma poucas horas que tinha, só nas fazenda. Nem antena parabólica existia.
Mas nós sempre agiu direito.
Nós respeitava até algumas leis que não estavam escrita, como a da-oferta-e-da-procura, que a gente descobriu, era para acertar os preço. Mas essa lei estava nas mão dos atravessador. Quando nós produzia bastante, os preços baixava. Quando a produção era pequena, o atravessador pagava pouco também.
Naquele tempo a vida não era fácil, e nunca foi, NE, seu doutor?
Nós levantava cedo, trabalhava até o sol se por, inclusive de sábado, e, nos domingo também, quando era época de colheita.
Uns de nós trabalhava de-a-meia, outros era empregado do sítio, outros pegava o serviço de empreita. Mas todos trabalhava. Nós vivia bem!
As criança ia para as escola, escola da fazenda mesmo. Passava de ano até tirar diploma de 4ª série. Depois tinha que ir para a cidade fazer o ginásio, o colégio, até faculdade. Alguns até formou seus filho nas faculdade, sim senhor. Tudo às custas do trabalho, que naquele tempo não faltava não, doutor!
Vieram essas medidas econômica, essas coisa que vocês fazem em Brasília (ou será que é porque não fazem?), e a vida ficou complicada.
O sitiante parou de produzir, foi à falência, o coitado, que não conseguiu pagar os financiamento, os empregado.  Os fazendeiro grande não tem mais empregado nenhum. As pessoas que produz não tem mais empregado. Só contrata bóia-fria, assim nós foi tudo pras cidade, pois nem lugar para morar nós tem mais, lá na roça.
Naqueles tempo, nós tinha lugar para morar, criar umas criação caseira, fazer uma hortinha, ter uns pezinho de fruta...
Agora, morar só se for na cidade, na favela, e se alguém quer trabalhar, só acha de bóia-fria.
Trabalhar de bóia-fria não seria tão ruim se tivesse serviço sempre.
Na cidade nós tem que pagar aluguel, contas de luz e água, imposto, passagem nos ônibus, etc., e, quando está fora de época de colher ou plantar, nós não ganha nada. Aí não dá mesmo para pagar isso tudo.
Logo, mesmo na safra de cana não vai ter mais contratação, pois as usina já estão colocando colheitadeira, que tira o serviço de um montão de gente. Igual aos produtor de café, de soja...
Não tem mais trabalho, doutor.
Explico tudo isso para o senhor saber que nós é pobre mas nunca foi bandido.
Faz um tempo, criaram um tal de Estatuto das criança e adolescente, que proíbe as criança de trabalhar. Só pode trabalhar quando tem dezesseis ano, se conseguir, e quase nunca consegue. Aí, acabou a escola, e eles fica na rua, pensando bobage.
Meu filho, o Nirto, ta com quinze anos agora, mas sumiu de casa, depois de pegar e vender as roupa que ele tinha, pra comprar um tal de crack.
Não sei onde ele anda, doutor, mas sei que ele precisa de ajuda.
Ele sempre foi um menino bom, sempre foi obediente.
Acho que é com essas companhia, que ele aprendeu a usar isso e a roubar.
 Só ele, porque os outros irmão não usam, não.
Já foi preso, ficou uns tempo, e nós achava que ele não ia usar mais, mas ele não conseguiu.
A gente conversava com ele, e ele até chorava, mas não consegue se livrar desse vício, e nós não tem como pagar um lugar para ele se tratar,
Estou contando isso para pedir pro senhor, doutor.
Se vocês descobrir onde ele está, traz ele de volta. Não deixe os traficante matar ele não, doutor, porque ele é nosso filho e nós ama ele.
Nós vai fazer o possível para ele se recuperar, e vamos correr o mundo para conseguir internar ele para ele se livrar disso.
Viu, doutor. Ele é um bom menino! 
Não deixa matar ele, não.



Um comentário:

  1. A falta de ajustamento
    Drama do campo e cidade
    Origem de sofrimento
    Raiz de pura ansiedade

    Mexem na economia
    Mudam nossos valores
    Ser humano sem valia
    Só escravos e senhores

    A natureza também
    Confunde com seus sinais
    Será que o mundo é assim?
    Pobre de nós, os mortais!

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